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TIRO DE GUERRA

Os Tiros de Guerra tiveram origem em 1902, na cidade de Rio Grande com uma sociedade de tiro ao alvo. A partir de 1916, por Olavo Bilac em prol do serviço militar obrigatório, transformou-se, com o apoio do poder municipal em organização militar destinada à formação de reservistas brasileiros.     Foram criadas muitas sedes de linhas de tiro, estrategicamente localizadas em cidades maiores de cada região do Brasil, oferecendo mais proteção aos cidadãos. Nessa época, éramos Distrito de Taquara.     O Tiro de Guerra era uma instituição do exército brasileiro encarregada de formar atiradores para o exército. Espaços estruturados para que os jovens, principalmente do interior, prestassem serviço militar. A organização ocorria entre o município e o comando da região militar. O exército fornecia o fardamento, o equipamento e os instrutores, geralmente cabos ou sargentos, enquanto a administração municipal disponibilizava as instalações.      A formação do atirador, realizada normalmente no período de 40 semanas, tinha carga horária semanal de 12 horas, possibilitando conciliar estudo, trabalho e lazer, aos jovens que participavam do programa. Para cá, vieram muitos rapazes de São Francisco, de Canela, e as meninas na época apaixonavam-se pelos namoradinhos que vinham de fora!     A sede do Tiro de Guerra tornou-se patrimônio da Sociedade Recreio. Margot Dal Ri Rost, contou uma parte desta história, sobre aquisição da propriedade para sede do clube, que foi vivida por seus familiares.     Em 1945 o Tiro de Guerra já não existia mais, sendo denominado Centro de Reservistas. “Em 13 de janeiro de 1950 foi entregue pelo Sr. Oscar Fisch um relatório sobre o patrimônio do extinto Tiro de Guerra.  O imóvel situado esquina da Rua Garibaldi com Júlio de Castilhos hoje Rua Coberta ou Madre Veronica. Foi doado dois terços para a Recreio e um terço para o Centro Esportivo Gramadense”, conta.     Segundo registros, em março de 1950, membros da Diretoria e seu Conselho Fiscal apreciaram as propostas de compra, do imóvel do extinto Tiro de Guerra. Após análise, foi vencedora a proposta da Construtora Gramadense Ltda, assinada por Hugo Daros, por ser a que apresentou melhores preços, na época.     Como incentivo ao esporte de Bolão, os associados realizaram torneio interno intitulado Tiro de Guerra 412 como prova de agradecimento ao patrimônio oferecido à Sociedade Recreio Gramadense. O torneio envolveu todos os clubes filiados.  “Não  foi registrado vencedor, pois quem realmente ganhou foi o nosso clube que pode construir uma Recreio mais ampla e mais moderna”, comemora.           APOIO:           T

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PARA DAR TUDO CERTO

Acompanhada pelo filho Niko, Terezinha Benetti Caberlon, aos 93 anos, matriarca de uma tradicional família gramadense, conta sobre os anos que morou com a família no clube, trabalhando com o marido Fernando Caberlon e cuidando das crianças. “As minhas maiores lembranças são das noites de muito trabalho nos grandes bailes de casais e nos shows Cassino de Sevilha, Francisco Petronius, RaiConiff, Perla. Também atendíamos nos jantares do Rotary, do Orbis e Lions. Lembro quando fazia janta para uma turma de adolescentes e quem começou a namorar aqui. Foi o começo da nossa vida, isso há mais de 50 anos!”  Segundo ela, “Gramado começou com as festas e os encontros na Recreio. Todo mundo se ajudando para dar tudo certo! Quando de repente, surgia uma festa para muitas pessoas, eu tinha que sair correndo e pedir socorro por que não tinha telefone! A Dona Ermelinda Bonatto sempre vinha me ajudar. Quando fui morar na Sociedade, não tinha prática na cozinha, e precisava me aperfeiçoar. Dona Irma Peccin, caiu do céu na minha vida! Ela me ensinou a preparar comidas e molhos que eu não conhecia. Antoninho Barbacovi cuidava das crianças para nós e também trabalhava de garçom. Lembro da minha mãe espichando massa, fazendo ravióli, macarrão. Não era como hoje em dia, que se sai correndo e compra-se no mercado...Tudo espichado a mão...E era assim para qualquer festa! Se fossem 200, tinha que fazer. Minhas irmãs e a minha sogra, o Renato meu cunhado, também vinham me ajudar, quando apurava. Casei aqui, os meus irmãos se casaram aqui e toda a família, ajudou a organizar!” Em sua memória, os carnavais eram de três noites bem puxadas! “Clube cheio, vinha gente de todo o lado, Novo Hamburgo, Sapiranga... Gramado foi muito divulgado através dos Blocos de Carnaval. E a partir daí foi crescendo... Participamos do Bloco dos Velhinhos quando paramos de trabalhar aqui. Era incrível!” Lembra que seu marido Fernando tinha criação de perdigueiro. “Ele era caçador e tinha um cercadinho, nos fundos do clube onde ele ensinava os cachorros a caçar perdizes. Hoje em dia não pode mais! Eu cozinhava perdizada com polenta. Às vezes 50, 60, 100 bichinhos. A gente depenava, abria, limpava por dentro e fazia recheadinha com carne moída. Servia com polenta fresca, mole preparada na panela de ferro, fresquinha, com molho. Era uma delícia!” Para acomodar toda a família, fala que era bem apertadinho. “Meus filhos saiam pro colégio e eu nem me preocupava em trancar a porta, não tinha perigo. Lá nos fundos era a cozinha, perto tinha um banheirinho e um corredorzinho na frente da cozinha onde eu botava um colchão pros guris dormirem juntos. Num quarto, eu e o Fernando e no outro dormiam as gurias. As crianças acordavam lambuzadas por que saíam escondidas no meio da noite para roubar chocolates no bar do clube. Eu nunca esqueço quando o Agnaldo Rayol veio se apresentar aqui e usou o quarto das meninas para se arrumar. Educadíssimo, uma simpatia!”     Durante toda a semana, o clube era dos freqüentadores do bolão e do carteado. Ela conta que fritava pastéis a noite toda, para o pessoal que jogava aqui. “Eles fumavam, com portas fechadas. Havia umas cortinas plásticas brancas que ficaram da cor de gema de ovo. Como era possível, aqueles homens passarem a noite fumando e bebendo naquela sala fechada? Tinha quem entrava em sexta feira e saia só no domingo. E não tinha hora para chegar, às vezes no meio da noite tocavam a campainha e o Fernando abria para mais um jogador. A gente também servia almoços para homens que vinham comer no balcão, sozinhos. Ao meio dia, fazíamos bife, batas fritas, ovos, arroz e salada. A gente não sabia direito quantas pessoas vinham então se fazia tudinho na hora, à medida que o pessoal chegava.”  Niko Caberlon, recorda os bons tempos da cancha de futebol de asfalto. “Se caísse doía! Os times que lembro eram o Jegra e outro, formado pelos integrantes do Monarcas. Tinha também o time da Estersul, caras que estavam construindo a estrada Gramado/Canela. Uns velhos que jogavam uma bola que, tá louco! Aqui era o encontro dos amigos e a gente saia para andar de carrinho de lomba, descendo a lomba do Hotel das Hortênsias.”  Sobre as bandas de músicos que passaram pelo clube, fala de quando tocou no Batukas, composto por tuba, violão, baixo, bateria e teclado. ”Foi na década de 1970 e durou uns  anos. Fizemos muito sucesso na época e tocamos na primeira festa do Festival de Cinema de Gramado que foi aqui na Recreio há 50 anos atrás.  Os Die Fledermaus, foi o primeiro conjunto de Gramado. Outras bandas eram Os Primitivos, Os Lenheiros e os Irmãos Broilo”.      Conta que foi um tempo de convívio muito saudável, quando aprendeu a receber bem as pessoas. “Eu vivi aqui com muito prazer, fazia tudo com muito amor. A gente quando é novo, tem pique para trabalhar. Depois que eu parei de morar aqui é que eu comecei a vir nas festas, nos jantares do bloco, nos bailes, carnavais. Sinto saudades do tempo em que eu cozinhava aqui, eu gostava muito. Se pudesse voltar naquele tempo, eu voltaria”.           APOIO:    

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DEBUTANTES DE GRAMADO

"A Sociedade Recreio Gramadense tem o prazer de convidar para uma noite de inesquecível emoção: o Baile de Debutantes. Venha prestar a sua homenagem à beleza e ao encanto destas jovens que estarão apresentando-se à sociedade de Gramado."   1 9 6 3  Ana Maria Ruschel Arlete Bertoluci Elaine da Silva Reis Elóide Verena Müler Franci Maria Zatti  Ginês Maria Perini Iara Maria Klement Ines Mari Soares de Oliveira  Ingrid KatiSchwingel Liana Maria Ferreira Margot Dal Ri Maria Lúcia Zatti Maria Tomazelli Marilia Daros Marlene Tissot  Sílvia Wilrich Susana Wilrich Teresinha Lorenzoni Wanderlei Peccin       1 9 6 5 Ana Maria Moraes Ana Sila Gonçalves Arlete Helena Dal Ri Cleusa Maria de Castilhos Dagma Saul Delci Michaelsen Dora Adelaide Varela Aingner Ieda Maria Klauck Irene Marli Drechsler Jane Maria Sorgetz Jussara Maria Gil Lucia Maria Bezzi Margareth Elizabeth Dal Ri Maria de Fátima Cardoso Maria Delourdes Sbabo Maria Elizabete Weber Maria Francisca Tisott  Maria Helena Ruschel Marly Benetti Miriam Pandolfo Rosa Ana Behs Rosa Maria Varela Aigner Rosemarrie Smolny Sirlei Beatriz Michaelsen Solange Zanatta Suzane RenateAlbrecht       1967 Ana Maria Bueno Accorsi Ana Maria Kunrath Clair Maria Oliveira Clarice Dahlen da Rosa Elisabete Duarte Bertoluci Heide Anete Dal-Ri Ivete Da Silva Fonseca Ivone Libardi Preto Joanete Carniel Josemari Carniel LiseteSorgetz Loiva Zinke Magda Rosangela Dal Ri Maria Amélia Triches dos Reis Maria Cristina Bezzi Maria do Rosário Vargas Maria LiegeZatti Maria Luiza Spindler Maria Tereza Accorsi Marilda Bolognesi Marilez Zanatta Marilúcia Zugno Neusa Maria Parmegiane Sandra Oaigen Gazarotto Sirlei Terezinha Pütten Sônia Maria Oaigen Suzana Oliveira Böesche Terezinha Catuci Vera Luci Moraes     1979 Alexandra Balzaretti Andréia Weeck Cláudia Sparrenberger Denize Célia Sandre Fernanda Antonieta AbibiSturmer Isabel Cristina Corrêa Isabel Cristina J. de Oliveira e Kátia Meireles Pâncaro Jaqueline Dutra  Karen Soraia Muller Karla Zatti Haas Letícia Lubisco. De Caxias: Lídia Spizzi. Marcia Figueira Jucá Mariliane Mazotti Marta Volkart Vacari Miriam Cristina Reis Cuman Naira Maria Balzaretti Patrícia Raymundi Rejane Pasqual, RosemarieScheifler Silvana Cavalli Simone Dinnebier Simone Sauressig Tatiane Comiotto       1981  Ana Rita Calazans Perine  Andrea Fernanda Perine Claudia Petersen Cláudia Tomazzeli Elenara Masotti  Grasiela Rosa Michalski  Henzel Janete Bazzan  Marcia Vallim Candiago Marta Bazei     1985  Adriana Masotti Adriane Balzaretti Ana Cristina Sartori Ana Paula Sartori Bibiana Perini Carla Smonly Cristiane Schmidt Bottari Elisa Maria Mazzurana Fabiana Stürmer Fabiane Kasper Glauce Patrícia Michaelsen Hellen Cristina Michaelsen Linara Regina Rabello  Lisia Correa Márcia Masotti Micheline Danusa Remonti Morgana Magnus Patrícia Maria Bernardi Dias Priscila Schlieper Rita Letícia Garratielo Baptista Sarita Perotoni Tatiana Ferreira Vera Roloff     1 9 8 7 Adriane Zinke Aline Bujnicki Vieira  Angela Cristina Masotti Carolina Behrend Schuck Cíntia Libardi Daniele Arend Denise Valentini Evelise de Oliveira Silveira Fabiana Castilhos dos Reis Giovana Stangherlin Ive Scheidt Janaína de Oliveira Toledo Janice Vianna Schlatter  Karen Gribel Dinnebier Katlen Tomazelli  Letícia Biz de Oliveira Marcia Ramm Marta Eleonora Strieder MirelleOppitz Ribas Patrícia Elisa Hobbus Karow Potira Dal Ri Rafaela Katherine Caldas RicheleMasotti   1990 Alessandra Adam Schaumloeffel Ana Paula Arnold Carizianee Volk Cláudia Patrícia Nunes de Lima Cristina Petersen Cristiane Zinke Daniela Daros Débora Dinnebier Débora Zatti Bazzei Evelise de Oliveira Silveira Gabriela Benetti Tisott Gabriela J. K. M. Maihub Gabriela Ruschel Michaelsen Janaína Adam da Silveira Juliana de Castro Koetz Luana Thomé Bezzi Luciana de Vargas Tissot Marli Isabel Auzani Marques Paula Stúrmer Ramos Roberta Sorgetz Benetti Rochele de Oliveira Silveira  Sofia Zatti Haas  Suely de Oliveira Vivian Vieira Albrecht 1993 Ana Caroline Volk Andrea Ferreira Laranjeira Aretuse Rodrigues Nunes Bianca Schmitt Carina Grasiela Libardi Caroline Moschen Caroline da Silva Mazzurana Cátia Tisott Fernanda Jungues Fernanda Stangherlin Graciela Cartana Mariela Oliveira Silveira  Renata Cristina Ferrary Caldas Renata Sorgetz Benetti Roberta Sobreiro Foggiano Vanessa Benetti Tisott       1995 Ana Claudia Martins Andréia Vieira Carla de Oliveira Pazetto Caroline Benetti Preto Cristina Carvalho Fernanda Santos Rafaela Ribeiro Rita Valentini Viviane Kogler     Contamos com a colaboração dos associados para concluir o quadro, corrigir informações ou incluir nomes das debutantes e fotos dos bailes que aconteceram na Sociedade Recreio Gramadense. Entre em contato conosco!           APOIO:          

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BAILES DE DEBUTANTES

Surgiram após a Revolução Francesa, na Europa antiga, tempo em que nobres famílias realizavam um grande baile social com intenções de atrair possíveis pretendentes para suas filhas moças. A tradição propagou-se aos outros continentes, pois as famílias fugindo da guerra migravam para colônias européias, como no caso do Brasil.      Sucesso absoluto nos anos 50 no Brasil, o primeiro baile de debutantes na Recreio foi em 1963. Todos os acontecimentos que envolviam o baile ocupavam grandes espaços nas colunas sociais nos jornais de destaque em todo o país. Em todas as cidades, a Sociedade Recreio Gramadense sempre foi referência no Rio Grande do Sul. Meninas que moravam em outros municípios também debutavam aqui.   Para organizar a grande festa, a diretoria do clube entrava em contato com as famílias das meninas que completariam 15 anos no próximo ano e vendiam um pacote de atividades que envolviam o evento. Um calendário intenso de ações especiais para as adolescentes durante o ano promovia encontros que antecediam a grande noite, como jantares, almoços, cursos de etiqueta social e passeios. Tudo fazia parte do pacote que a família comprava, inclusive a mesa para o luxuoso e impecável jantar baile.         O estilo da decoração da festa, as músicas e as danças se adequavam ao período, mas precisavam agradar aos pais e filhos. Porém, a valsa, mistura de danças de camponesas austríacas e alemãs, era oficial nestas ocasiões. O ponto alto da festa acontecia quando as moças que eram aguardadas pelos pais surgiam para apresentação individual no salão com um vestido deslumbrante para dançar valsa com seu pai.     Por razões econômicas, na década de 80 o baile passou a ficar em segundo plano no desejo das meninas que optavam por viagens à Disney e debutar passou a ser considerado “fora de moda”, pela maioria delas. Neste mesmo período a Recreio precisava de reformas estruturais, o que mais tarde realmente aconteceu, fazendo com que, durante as obras, alguns bailes fossem realizados nos modernos centro de eventos dos principais hotéis da época.   Os bailes de debutantes tradicionais voltaram com força total e a cada ano se superam em criatividade e efeitos especiais. Mais de 300 meninas gramadenses e de fora, já desfilaram no salão do clube.   O tempo passou, e a Recreio continua se aperfeiçoando na organização deste evento que exige tanto requinte. Em Gramado, na Serra Gaúcha, a Sociedade Recreio Gramadense realiza festas deslumbrantes com estilo, mantendo a tradição e a alegria das baladas modernas.            APOIO:      

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OS SHOWS SERTANEJOS

O ex presidente Paulo Volk conta que o senhor Claudino Weber, seu avô, dirigiu o clube de 1939 a 1941. Juntamente com a diretoria, publicou um edital de concorrência para arrendamento da copa. Os interessados apresentavam as suas propostas, por escrito, em envelope fechado, entregue ao presidente. Naquela época foi escolhido o Sr. Guilherme Dal Ri, que oferecia muitas vantagens. “A Recreio fez parte da minha adolescência, frequento o clube desde os 13, 14 anos. Vivíamos um resquício da ditadura em uma sociedade um tanto fechada”, diz.   “As festas aconteciam na sacada do clube. Ali era o nosso domingo de avant premier da juventude de Gramado. O Domingo era o dia mais esperado. Começava pelas 16h e ia até às 22h. Além de Raul Belgander, Ney Lisboa, Os Batucas, Os Lenheiros , havia música eletrônica. Dj, em toca disco Phillips de abrir a tampa e rolar som no vinil. Era o auge das músicas americanas. Bee Gees, Beatles e samba patie. Havia muitas brigas, entre Gramadenses e Canelenses, já que eles vinham para cá namorar as gurias de Gramado, a gente ficava com ciúmes, e quando a gente ia pros bailes em Canela, acontecia a mesma coisa. Então, ora apanhava lá, ora apanhava aqui, ora surrava lá e ora surrava aqui. Mas mesmo assim, o clube era um local que tinha um controle rígido das famílias, da sociedade, da diretoria e dos estatutos.  Em 74, 75, 76, se dançava juntinho, mas afastado. Não podia abraçar muito, tinha que ter respeito. Nos bailes tradicionais a noite, era mais complicado arranjar uma namorada, pois eram bailes mais de família e as meninas vinham acompanhadas dos pais, então, difícil se aproximar. No carnaval era um pouco mais solto, mais liberal. Os carnavais, na minha adolescência proporcionaram muitas paqueras. Normalmente acontecia assim: as gurias ficavam circulando, dançando no salão e a gente ficava parado. Quando rolava interesse, a gente colocava a mão no obro e começava a dançar junto, rodando pelo salão. A regra era clara: se a guria deixava ficar com a mão no obro seguia sambando junto. Se elas saía fora, tirava a mão, tinha que deixar a moça seguir sozinha. Então voltava e continuava ali, pescando até encontrar uma namoradinha” recorda. “Tenho várias lembranças de Bailes de Debutantes, era quando víamos as flores surgirem. Aquelas gurias que estavam presas em casa, eram apresentadas a sociedade. Foi num baile de Debut que comecei a namorar a Neka que foi minha esposa durante 30 anos”, lembra. Conta que durante a sua gestão os bailes de debutantes começaram a ficar ultrapassados, pois havia uma tendência de as meninas ganharem passagens para a Disney, no lugar de debutarem ou fazerem festa de 15 anos. Comportamentos tradicionais sendo substituídos.      Aos 29 anos quando assumiu a diretoria da Recreio desde. 1989 até 1993, conta que “o clube vinha se apagando, de certa forma, conservador demais para aquela época. Eu como representante da juventude, entendi que a Recreio não oferecia mais atrativos para os jovens. Bailes de Carnaval permaneciam. Baile de Reveillon, e Baile do Chopp, Baile de Debutantes já não faziam muito sucesso. O clube não tinha mais muita receita. Era o momento das eleições diretas no Brasil, 1988. Ano de movimento político muito importante na história do país, nova constituição. Houve grandes mudanças no comportamento da sociedade”, lembra.      Junto com uma turma de amigos, a idéia era resgatar a alma do clube. “Para fazer caixa decidimos trazer shows. A dependência do clube era pequena, então pedimos o pavilhão da Prefeitura. Eu como gosto muito de sertanejo, optei por trazer o “Chitãozinho e Xororó”. Show inédito em Gramado, junto com “Os Atuais”, que era um baita conjunto. O resultado foi fantástico e esse show motivou outros shows”, lembra. Promoveram um jantar baile com a cantora Rosana, e organizaram show também com “Teodoro e Sampaio” e Mercedes Sosa, todos com sucesso absoluto. Mas clube realmente estava envelhecendo. “O desafio de transformar o clube velho em um clube novo, e não apenas trazer uma gurizada nova para tocar pois os frequentadores eram bolonistas e o jogadores de carteado. Investimos uma parte dos resultados destes eventos em pinos automáticos de bolão, com recolhedor automático de pino. Nos enganamos, pois o Bolão estava morrendo e iniciando a era do Boliche nas boates” diz.     Em 1994 com apoio de grande parte do empresariado Gramadense, seu amigo Alemir Coletto o substituiu na presidência e iniciou a grande reforma necessária. “Ele conseguiu manter o aspecto arquitetônico, com a preservação do passado do clube, mas modernizando. O fato de poder ter contribuído com esta história me deixa muito honrado. É uma doação pessoal, para a sociedade, legado, sujeito a críticas e sujeito a aplausos. Sinto saudades de como tudo isso foi construído. Se é possível sonhar e é possível realizar” conclui.           APOIO:                   

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OS BOLONISTAS

No Brasil, assim como o jogo de Bocha está mais ativo dentro das comunidades italianas, o Bolão é concentrado entre descendentes alemães, e mais praticado na região Sul do Brasil. Os grupos históricos que fizeram parte do Bolão da Recreio tiveram papel fundamental para a concluir a construção da sede de alvenaria na década de 50, bem como o pavilhão com as moderníssimas canchas. Através de registros fica claro o envolvimento dos participantes em todos os períodos administrativos durante a evolução do clube, por muitas décadas. Para fazer parte de um Bloco de Bolão havia a condição se associar-se a Sociedade Recreio Gramadense, ser casado e sujeitar-se ao regulamento organizado pelo grupo.      A parir da década de 40 há registros de churrascos nos fundos da Recreio, perto do hospital. As famílias dos bolonistas plantavam árvores para sombreamento e mais conforto. Cuidavam dos jardins e das vertentes que passavam neste trecho. A rua Madre Verônica era um caminho estreito para o Hospital São Miguel, com poucas residências próximas. Até o início dos anos 60 muitos eventos das famílias gramadenses aconteceram neste espaço arborizado.   O GRUPO VIRTUDE É provável que tenha iniciado em 1925. Em junho de 1935 é riscado o nome Virtude  e colocado Combate. Alguns nomes listados são: Oscar Fisch, Otto Meyer, Cláudio Stangerlin, Reynaldo Sperb, Afonso Bordin, Arthur Zwetsch, Arno Sander, Bruno Riegel, Eduardo Seibt, João Nicoletti Daros, Antonio Accorsi, João Dal Ri, Aquilino Libardi, Edvino Jacobsen, Olímpio Benno Ruschel, Augusto Daros, Floriano Petersen, Euzébio Balzaretti, Argento Bertolucci, Armando Ruschel, Guilherme Dal Ri, Pedro Berti.     BLOCO COMBATE  Fundado em 3 de março de 1925, presume-se que era o antigo Virtude, ou que acolheu o extinto grupo. Alguns componentes: Boaventura Ramos Pacheco, Rodolfo Waslawick Filho, Agusto Zatti, João Leopoldo Lied, Pedro Candiago, Rodolfo Arend, Henrique Bertolucci, João Henrique de Castilhos, Maximiliano Gaspar, Reynaldo Sperb, Virgílio Zanotti, Ângelo Rossi, German Heller, Benno, Willy e Armando Ruschel, Alfredo Waslavick, Adilso Franck, Antônio Barbacovi, Hugo Daros, José Witmann, Orlando Koetz, Padre Luiz Manéa, Miguel Sbabo, Renato Kasper, Walter Sempé, Remi Belotto, João Sartori, Elias de Moura, Eddy Oaigen, Gersi Accorsi, Abel Parmeggiane, Adelino Catucci, Eduardo Bisol, Paulo Pante, Carmo Henzel, Fabio Weeck, Izaias Cartana, Lauri Arnold, Danglar Libardi, Gilmar Colisse, Roque Moschen, Raul Sartori. Mesmo nos registros mais antigos mostram que eles treinavam obrigatoriamente uma vez por semana e que pagavam para se divertir. Desafios, muito comuns valendo churrascos e macarronadas aconteciam entre os componentes e especialmente com outros blocos. Havia conta no "Armazem Ferreira, Seccos, Molhados e Especialidades",  que registrava fornecimento de mandioca, cana, sal, papel, e erva e pão novo, na padaria "Wilibaldo Schlier". O mais tradicional adversário do Combate era o Garra de Ferro, de Caxias do Sul. Há registros do Bloco Combate, filiado à Recreio, até o ano de 1991.   VAMPIROS Fundado em 28 de agosto de 1926, encontram-se registros até o ano de 1935. A Coletoria Estaduual que funcionava no povoado naquela época, retinha a reserva finaceira do bloco como se fosse um banco. O URSO pagava multa. Se o jogador fazia BANDA, também pagava multa. O CAPITÃO pagava extra também. A luz e alguel das canchas eram pagos separademente ao clube. Organizavam cchurrascos, bailes e fetejos no clube. alguns componentes: Henrique Castilhos, Agostinho Dall Alba,, Hugo Daros, Ernesto Schroer, Reinaldo Haugg, Virgilio Balzaretti, Evaldo Sorgetz, Francisco Alexandre Zatti, Erny Hermann.   GRUPO DE BOLÃO 15 DE ABRIL Fundado em 15 de abril de 1928. Este grupo se dispunha a dar toda a renda arrecadada para o clube, com a condição de que não fosse cobrado aluguel da cancha e os demais encargos.   Não há registros dos nomes dos participantes deste grupo.     GRUPO TUYUTY Fundado em 6 de março de 1925, o nome foi escolhido em homenagem a um dos mais gloriosos feitos de bravos soldados comandados por Manoel Luiz Osório. Os últimos registros deste Bloco, filiado à Recreio foram em 1991. Constituído durante todas as décadas em que permaneceu por alguns componentes aqui mensionados: Cláudio Pasqual, Rodolfo Schlieper, Jorge Bard, Reinaldo Muller, Waldemar Marques, Henrique Bertoluci Sobrinho, Valentin Zanotti, Jurandy Bender, Rudi Schlieper, Oscar Bauer, Oscar Fisch, Zeno Sturmer, Bruno Muller, Ingo Ramm, Victório Lazaretti, Julio Chaulet, Cláudio Stangherlin, Caludino Weber, Daniel Arend, Demetrio Pereira dos Santos, Dante Bordin, Leopoldo Rosenfeld, Francisco Perini, Secundino Prezzi, Almeris Peccin, Erico Albrecht, Emilio Darsie, Helmuth Fries, Helmuth Sorgetz, João Francisco Bertoja, Leopoldo Preto, Oscar Dal Ri, Pompeu Peccin, Walter Plutzenreiter, Waldemar Weber, Alexandre Fleck, Airton Fleck, Alexandre Albrecht, Arlindo Zinke, Clelio Tisott, Delvair Ghesla, Décio Tisott, Gilberto Drecksler, Gilmar Ramm, João Alberto Oliveira, João Carlos Brentano, Luis Carlos Stopassola, Roque Silva, Waldemar Ramm, Wandir Sthal, Ulli Rolof, Edésio Reck, Nelson Fassbinder, Alcenio Fassbinder, lcides Balzaretti, Paulino Castilhos.    CASTELO Fundado em 08 de maio de 1946. Dos blocos masculinos, foi um dos primeiros a ter uniforme para os jogadores, em 1966. Usavam calça escura e camisa branca com logo de um Castelo impresso escrito: CASTELO – GRAMADO. Realzo torneios com os demais blocos filiados e bailes de aniversário com entregas de taças,. Alguns dos integrantes: Celestino Tomazelli, Alceno Noé, Rudi Benetti, Romildo Bazzan, Angelo Boff, Atílio Sacket, Egídio Weber, Quintino Gonçalves, Remi Melara, Reinaldo Baqui, Setembrino Boniatti, Ernesto Zorzanello, Edésio Reck, Egidio Michaelsen, Werno Drecksler, Roque da Silva, Pedro Roldo, Rudi Sartori, José Carlos Ferreira Bastos.       BLOCO DE BOLÃO OS GRAMADENSES Composto por casais gramadenses, fundado no final dos anos 70. Treinavam aos domingos à noite. Os participantes eram, entre outros: Aurélio e Iraci Sartori, Armando e Nair Oberher, Antonio e Flávia Barbacovi, Alfredo e Rosa Becker, Edésio e Arcelita Reck, Ermindo e Alice Moschen, Élio e Leilaine Correia, Henrique e Amabile Giacometti, Ivo e Anita Barbacovi,  Isaias e Nelci Abraham, Júlio e Pierina Carniel, Olídio e Elli Dutra, Sérgio e Cristina Schneider, Sérgio e Gládis Moschen, Wilson e Ludiva Fassbinder, Wilibaldo e Helma Oberher.             APOIO:               

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AS BOLONISTAS

Há períodos variados na história, em que o Bolão foi condenado como jogo de azar ou praga, ora pela Igreja, ora pelo Estado, já que em torno das reuniões de "bolonistas" era comum bebedeiras, brigas, discussões e apostas em dinheiro. Com o passar dos anos, alteraram um pouco as regras, o desenho e formato das pistas, pinos e bolas e finalmente introduziram as mulheres. Senhoras, esposas de bolonistas não menos competitivas, mas que jogavam, tomavam chá e conversavam. Estava criado, então um "novo jogo", com menos chances para infrações.       Havia desfiles no centro de Gramado com as seleções de representação dos Blocos de Bolão. Além dos encontros semanais, no clube para treinos, as mulheres organizavam reuniões em casas de componentes.  Algumas também se apresentavam como Blocos de Carnaval.        BLOCO DE BOLÃO BELLONA Possivelmente fundado em 1924 era formado pelas filhas de adeptos do Partido Libertador. Elas usavam lenços vermelhos. Treinavam nas quintas feiras.   Algumas componentes: Aurora Casagrande, Isaura Darcie, Genoveva e Eleonora Balzaretti, Maria Waslawick, Rosita Bertolucci e outras.    BLOCO DE BOLÃO PRIMAVERA Formado por moças de famílias do Partido Republicano, de lenço verde, a possível data de fundação, foi em março de 1925.  Algumas componentes: Iria Lied, Irma Lied, Iraci Lied, Íris Lied, Irani Lied, Dosolina Daros, Clementina Daros, Edelvira de Castilhos, Julieta Bastos, Oscarina Bastos, Aura Boelter e Lia Ruth Boelter. O grupo convidava rapazes para formarem cordões carnavalescos. Boaventura e Waldomiro Ramos Pacheco faziam as músicas do Grupo de Bolão que era Bloco de Carnaval também    BLOCO DE BOLÃO 2 DE OUTUBRO Fundado em 20 de Outubro de 1944. Integrado por Íris Lied dos Santos, Oscarina Bastos Benetti, Nair Gonçalves Ribeiro, Irani Lied de Castilhos, Rosita Benetti, Julieta Balzaretti, Erlinda Stumpf, Maria Libardi e Olda Boelter Fisch. As componentes são em sua maioria as mesmas que fundaram, mais tarde o "30 DE SETEMBRO".     BLOCO DE BOLÃO 30 DE SETEMBRO Fundado em 30 de Setembro e 1953. O uniforme era composto de saia rodada preta e uma blusa branca com mangas e gola japonesa. O monograma era bordado a mão em piquet branco com dois paus de armar em marrom. Algumas componentes: Clari Accorsi Sartori, Cantides Gonçalves, Cida Castilhos Petersen, Dalila Jungbluth, Dercy Couto, Edelvira Castilhos Bertolucci, Emma Fisch, Iria Lied de Castilhos, Irma Bertolucci Peccin, Julieta Bastos Balzaretti, Ladi Bastos, Rosita Bordin, Soely Accorsi Daros, Zari de Castilhos, Beracy Oaigen, Dalcira de Oliveira, Ermelinda Fisch, Flávia Barbacovi, Inge Fisch, Lacy Bertoja, Oasita Haas, Rosita Benetti, Similda Riegel.  Música Nós do 30:  "Nós do Bloco 30, cá no bolão somos maiorais, mas na hora do aperto, o braço vira e as "banda"vem atras. Não é preciso ter vegonha, se jogar e fracassar! Prá que vitória, pra que prá nós, se a farra é muito melhor!"        BLOCO DE BOLÃO RAINHA DA SERRA  Fundado em 06 de Outubro de 1953. Algumas senhoras que fizeram parte deste grupo: Ermelinda Sorgetz, Judahyba Ruschel, Célia Zatti, Célia Fleck, Anita Muller, Ilma Miranda, Thereznha Koetz, Ilsa Kuhn, Hermida Perini, Odete Balzaretti, Ermínia Accorsi, Orlandina Michaelsen, Amabilda Bertolucci, Claudina Michaelsen, Iracema Bazzan, Sonia Bonatto, Pierina Carniel, Presila Bazzei, Elli Dutra, Margarida Adam, Iria Hermann, Irani Ramm, Nair Oberth, Cléa Albrecht, Irene Preto, Gerda Sorgetz, Irma Zanatta, Irlei Zanatta, Nair Perini, Rosa Drecksler, Helena Manéa. Música encontrada no primeiro livro da atas do bloco: "Unidas marcharemos para frente, engrandecendo assim a nossa terra. Humildes competimos lealmente pela glória do Rainha da Serra. Estribilho: Com alegria, venceremos! Nada pode nos deter! Com certeza enfrentaremos os que cumprem o seu dever! Avante! Pela vitória de nossa gente.  Por nossa glória combateremos tenazmente. Forjaremos a nossa história!"               APOIO:           

RELEMBRANDO

A ERA DO BOLÃO

A Sociedade Recreio Gramadense, durante muitos anos teve o Bolão como ícone. Do Bolão surgiam eventos sociais, foram escolhidos os Presidentes, Secretários e Conselheiros. Durante uma era o esporte foi o centro dos maiores acontecimentos de toda a região. Apreciado tanto por operários, profissionais liberais e empresários, fez muito sucesso em todas as classes sociais e foi assunto preferido nos encontros para o cafezinho, aperitivos e chás da tarde frequentados pelas senhoras. Motivo de grandes confraternizações, incentivou os habitantes de Gramado a tornarem-se sócios do clube.     Existe há cerca de 3 500 anos. Escavações em sítios arqueológicos egípcios detectaram sinais de jogo de bolão ancestral. Há indícios de que povos bárbaros e tribais teriam um eventual jogo com caveiras e ossos no lugar de bolas e pinos. Esporte primitivo, com origem no Egito, Polinésia utilizando bolas e pinos. Já foi praticado como cerimônia religiosa quando acreditava-se que ao derrubar o bastão, a pessoa que arremessou estaria livre dos pecados.     Segundo registros o Bolão foi mencionado pela primeira vez na Alemanha em 1157, na cidade de Ronthenburg. O 1º campeonato Mundial de Bowling foi realizado em 1925, na Suécia. No Brasil, o esporte foi introduzido através dos imigrantes Alemães, apresentando duas modalidades: BOLÃO 23 com a bola de 23cm de diâmetro e o BOLÃO 16, com bola de 16cm de diâmetro, praticado por homens e mulheres.   Taça Tuyuty, anos 50. Sturmer, Hogo Daros, Guilherme Dal Ri, Bruno Muller. Foto: Arquivo Pessoal Sérgio Bertoja   Até 1947 sempre houve apenas uma cancha de bolão na Recreio e vamos relembrar um pouco da nossa história, em alguns capítulos.   30 de Setembro: Rosita Bordin, Ema Fisch, DalilaJungbluth, Clari Sartori, Ladi Bastos, Tereza Bastos, Edelvira Bertolucci, Cantides dos Santos, Zari Castilhos, Irani Castilhos, Soeli Daros, Julieta Balzaretti, Irma Peccin, Derci Couto, Cilda Petersen     A sede inicial do clube, de 1915 a 1929 ficava na esquina com Major Nicoletti, e o prédio era locado. A Recreio foi fundada em 15 de abril de 1915 ficava de frente à Praça Major Nicoletti, que ainda não era bem uma praça. Havia uma cancha de chão batido, na rua, dificultando visualizar a bola e os pinos em dias de serração. As pontuações eram anotadas no “ourinho”, papel que protegia os cigarros dentro das embalagens.    Na segunda sede, de 1928 e 1956 na esquina da atual, entre a Madre Verônica e Garibaldi, o  prédio era próprio, de madeira. Durante a 1ª etapa da construção, entre 1928 e 1929 houve a inauguração da Cancha de Bolão com leilão das primeiras bolas e ainda, JOGO DOS CARTÕES para a disputa de uma MEDALHA DE OURO oferecida pela Sociedade. Entre os envolvidos na Comissão dos Festejos e ampliação, estavam Cláudio Pasqual, Oscar Fisch, Valentina Zanotti, Pedro Candiago, Orestes Dalle Molle e João Alfredo Schneider. Há muitos registros de churrascos nos fundos da Recreio, durante este período.   Bolonistas do Grupo Castelo em dia de treino: Walter Sempé, Egídio Michaelsen, Edo Brentana, Euclides Bondam, João de Oliveira, Adilson Franck, Carlos Tomazelli, Hans Nikolaysack, Theobaldo Scheifler, Celestono, Ilso, Ernesto Simão Tomazelli, Rudo Benetti, Setembrino Boniatti e Alceno Noé. Acervo S.R.G.   A época de ouro, foi a partir de 1954, no pavilhão do bolão, com duas canchas moderníssimas, inauguradas em 1º de maio de 1954, em um grande evento, com a presença de muitos gramadenses e visitantes. Entre os festeiros destacaram-se Daniel Arend, Guilherme Dal Ri, Henrique Bertolucci Sobrinho e Oscar Fisch. O evento que comemorava os 39 anos da Recreio foi realizado com levantamento de dinheiro dos bolonistas. O "Batismo da Cancha da Direita" foi feito pelo Bloco Tuyuty e o "Batismo da Cancha da Esquerda", pelo Bloco Combate.     Em 1995 para a construção da atual e 4ª sede do clube foi vendido parte do terreno da Recreio, tornando-se viável fazer a reforma necessária. O térreo passou para espaços totalmente comercializados e o salão social foi elevado para o 1º Piso, mantido somente o hall no térreo. As obras de reconstrução do clube seguiram até novembro de 1999. Em 2005 foi inaugurado outro espaço social, o “Salão Verde Antoninho Barbacovi”.   Pedro Fattori, Nelson Dinnebier, Altivo Becker, Tino Volk, Amantino Libardi, Osmar Accorsi, Euzébio Balzaretti, Ilso Tomazelli e Remi Melara. Acervo S.R.G.   Os Blocos de Bolão foram constituídos por grupos de famílias históricas de Gramado, responsáveis pelo progresso da Sociedade Recreio por muitos anos. Além de garantir a frequência dos associados na sede e animar a vida dos gramadenses, este esporte oportunizou a formação dos grupos políticos e lideranças de Gramado.  Oficialmente filiados a Sociedade Recreio Gramadense, conforme os registros, foram os seguintes: COMBATE: fundado em 03 de março de 1925 TUYUTY: fundado em 06 de março de 1925 VAMPIROS: fundado em 28 de agosto de 1926 1º DE OUTUBRO: fundado em 1º de outubro de 1939 CASTELO: fundado em 08 de maio de 1946 30 DE SETEMBRO: fundado em 30 de setembro de 1953 RAINHA DA SERRA: fundado em 06 de outubro de 1953             APOIO:             

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DANÇA COMIGO?

As danças nos salões da Recreio, sem dúvida, foram os momentos que construíram as melhores memórias afetivas que se perpetuam no tempo... Há os que fazem referência aos bailes com “danças de rosto colado” e outros às festas que exploravam momentos espontâneos, impulsionados por músicas animadas, quando muitas vezes não se lembrava com quem havia dançado. O som alto diminuiu o diálogo, e não a sedução.  São momentos saudosos de gramadenses dançarinos ou apenas admiradores que voltaram no tempo de olhos fechados, relembrando um cenário embalado por músicas que marcaram as suas vidas.   Foto: Maria Delourdes Sbabo Magnus   Nos bailes de antigamente havia uma forma de cortejo, ato de sedução extremamente romântico e educado. Os jovens procuravam pelo salão a garota ideal que muitas vezes encontrava-se na mesa sentada com os pais. Era preciso audácia para chegar até ela e fazer o respeitoso convite: - Dança comigo? Seria indelicadeza dela não aceitar, e um “sim” educado já deixava animado o rapaz atrevido. A regra era dançar no máximo três músicas com o mesmo rapaz, demonstrando que não havia outro interesse, a não ser, a boa educação. No entanto, se houvesse química, as danças se prolongariam o baile todo. Os rostos se colavam e a sedução continuava com uma conversa ao pé do ouvido. Um tempo mágico onde o cavalheirismo de uma dança fazia casais flutuarem pelo salão de forma encantadora. Mãos na cintura, abraço forte que aproximava ao peito e colava o rosto, ao som de orquestras que tocavam valsas, "foxtrot" e tangos.  O beijo roubado, era às vezes o único da noite. O romantismo seguiu com os boleros. Mas a década de 50 ficou marcada por uma transição cultural, especialmente em relação à música e ao comportamento adolescente. Época de jazz e rock. Com passos cadenciados os casais se moviam, separando-se e retornando rapidamente, como um iô iô, indo e voltando. Anos 60 além do rock and roll, surgiram “cha-cha-cha”,  “hully-gully” e  “twist” que tomou conta das pistas. O novo “passinho”, era ensinado pelos rapazes que moravam em Porto Alegre e passavam os finais de semana em Gramado. Imagine uma toalha de banho nas costas, esfregando de um lado para o outro e pisando movimentando os pés como se apagasse um cigarro no chão. Nessa época era muito comum, casais de namorados circularem acompanhados com “chá de pêra”, a famosa "vela", visto que o comportamento da juventude era mais “avançadinho”.   Foto: Gustavo Merolli   Jamais será apagado o tempo da brilhantina nos anos 70, a chamada era “disco”. Discoteca, "hustle" e "breakdance", com influência americana, basicamente solo com chutinhos e movimentos das mãos sempre acompanhando a batida da música. A febre dos anos 80 e 90 era todo mundo dançando igual e no mesmo ritmo e o som cada vez mais potente e eletrônico. Na virada do milênio contamos com variedade de estilos musicais para atender a todos os tipos de público. Axé, música eletrônica, black music, samba, indie, rock, pop, retrô anos 80 e funk. Mas, e os passinhos para acompanhar esta “balada”? Cada tipo de música tem o seu jeito e quem não sabe, dança do jeito que sabe dançar! O mais importante era estar na pista aglomerada ao sinal da música preferida. Ou ainda, há quem tenha subido no palco para registrar a "performance" com os artistas da banda da noite. Além das bandas, o repertório por conta das tradicionais "pickups", alternava CDs ou vinis e alguns DJs tocavam arquivos de música direto do notebook. Com o avanço exponencial da tecnologia, já mudou muita coisa desde então!   Foto: Gustavo Merolli   Esta mistura de gerações, décadas de estilos, música e dança foi revivido em muitos casamentos, festas de 15 anos, bailes de debutantes, entre tantos eventos! "Saudades de uma festinha né, minha filha?" A dança é um tipo de arte que influencia a saúde física e emocional, em cada tempo, e as músicas são poesias que marcam histórias. Em época de pandemia, espero que as pessoas ainda dancem, embaladas por “lives” e “playlists” propagadas pelo celular, gerando novas memórias afetivas, agora, na sala das suas casas, mas em breve com os amigos, por aqui.         APOIO: